"O amos me mudou, o amor é maravilhoso, um sentimento inexplicavel, sem comparação. Você se sente nas nuvens. Mas cuidado as vezes nós não escolhemos o que realmente é bom pra nós, confundimos o amor com uma mera paixãozinha passageira, mas que deixam grandes marcas, e aí começamos a odiar o amor. Não faça isso minha filha, o amor é um sentimento puro, ultrapassa obstáculos e nos da força quando nós achamos que tudo esta perdido, procure, procure mais, se demorar, não se preocupe o seu amor um dia virá."
Não era uma tarde qualquer. Não era uma tarde tão importante assim. Os passarinhos não cantaram mais porque ela quis. Os passarinhos também não pararam de cantar. Os carros não sairam das ruas. Os carros também não aglomeravam-se nas ruas. Não estava ensolarado, mas também não estava chovendo. Não estava frio, mas também não estava calor. Era um dia normal, mas um dia pra ela. A menina andava pensativa, em tudo que o avô tinha lhe dito, que sentimento era aquele que ela nunca teria descoberto, que ela nunca tinha nem escutado falar, ou tinha mas como não dava importancia a quase nada a não ser trabalho, trabalho, casa, trabalho...
Ela, porém, não estava pulando de alegria, muito menos triste. Ela estava sem forças nenhuma pra estar ali, mas ela continuava andando, compromissos, responsabilidades à esperavam. Ela estava com os pensamentos longe, mas ao mesmo tempo estava perto. Ela não andava de cabeça erguida, sorrindo, com os cabelos ao vento e a felicidade no maximo, mas ela também não andava cabisbaixa como se o mundo estivesse prestes a se acabar. Ela mantinha o olhar fixo no horizonte, os passos firmes, os olhos quase não piscavam. Por um momento ela parou de andar e ficou observando umas pessoas que ela não conhecia em um parque.
Crianças corriam, pessoas se beijavam, abraçadas, rindo, brincando, correndo. O que era isso? Ela não fazia idéia do que estava acontecendo. Por que os olhos das meninas brilhavam enquanto os garotos falavam, beijavam elas, ou até mesmo se abraçavam. Por que eles não estava correndo por causa das suas rotineiras vidas? Por que parecia que o dia estava bem mais bonito pra eles? O que era aquele laço quase invisível que unia os dois? Ela olhava, olhava e não entendia. Que era aquilo que estava acontecendo? Que sentimento era aquele? Por que ela não sabia?
Ela começou a andar mais depressa, não queria mais ouvir nada, não queria mais ver nada, queria que fosse somente ela, e seus pensamentos, nada relacionado aquela história maluca de "amor".
Mas ela sabia que fugir não resolveria nada. Nada mesmo. Ela decidiu parar, olhou pros lados, ainda assustada, viu um banquinho com um rapaz sentado, era o único vazio por ali, foi aquele mesmo, ela sentou-se.
Ele murmurava coisas que ela não entendia, até que ele deixou escapar uma frase que ela entendeu perfeitamente! "E afinal de contas, porque ninguém explica de onde vem esse amor, e o que é realmente isso?" ele parecia indignado e realmente triste. Ela se sentiu feliz, porque não era só ela não sabia o que era aquilo.
Ela então conversou horas e horas com aquele rapaz que ela jamais tinha encontrado na vida. Eles tinham as mesmas perguntas, sem nenhuma resposta, porém ele já tinha passado por coisas que ela nunca sonharia em passar, ele parecia mais maduro, algumas vezes até mais feliz que ela.
Não foi a única vez que se encontraram, marcaram mais vezes, ela foi saindo da rotina pouco a pouco, se vestindo melhor, ela sentia uma imensa vontade de estar bonita praquele rapaz, que a encatava tanto. Um dia ele marcou e não foi, ela se sentiu mal, extremamente mal, ela ligou ele não atendeu, deixou mensagens, ele não respondeu. O coração doeu, doeu, doeu. E ela novamente não sabia o que estava sentindo, o que era aquilo? Eles eram amigos, não passavam vinte e quatro horas juntos, ela ficava longe dele muitas vezes, não entendia porque dessa vez se sentia tão mal.
Duas semanas se passaram, ela estava sentada no mesmo banco onde tinha conhecido o menino, nessas duas semanas sempre ia ali na esperança de encontra-lo, mas ele não estava lá.
Ela estava se sentindo como antes de conhece-lo, todo o brilho que ela tinha quando o via e quando estava com ele, ninguém via mais, e ela novamente, não entendia o que era isso. Sentia vontade de chorar, do nada, várias e várias vezes. Até que por trás das árvores, surge ele, com um enorme sorriso, pulando e a felicidade dele era visível a quilometros de distância daquela pracinha, ela sorriu sem entender. E ele disse. "Eu finalmente descobri o que é o amor!" Ela sentiu um aperto ainda mais forte no coração, apertou a mão dele com força, sentia medo do que ele poderia lhe dizer, mas continuou firme ali, sem conseguir dizer uma palavra sequer. "O tempo que eu não te procurei, todas as vezes que recusei suas ligações, não respondi suas mensagens, não vim aqui te ver, mesmo tendo certeza de que você estaria aqui... Quer dizer, eu estava o tempo todo aqui, ali, atras das árvores te vendo de longe e pensando, pensando muito. Meu coração duia a cada lágrima sua, minhas pernas bambeavam toda vez que você olhava para os lados me procurando. Meu sangue pulsava, meu coração suplicava pra eu ir falar com você, minha cabeça não parava de pensar em você, e toda vez que eu iria dormir, orava por você, sonhava com você, e desejava a todo minuto estar ao seu lado. E foi então que eu descobri..." Ela já estava chorando, sorrindo ao mesmo tempo, de pé na frente dele, mil coisas passaram em sua cabeça, e ela agora sabia, sabia o que era aquele sentimento que o seu avô havia lhe dito, sabia o que era aquele sentimento que tantas e tantas vezes ela ficava discutindo com aquele menino. ELA SENTIA. E então os dois juntos disseram. "É o amor, e eu amo você."


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